Mercado de stablecoins em dólar é mais de 2 mil vezes maior que o do real

AB
Alexandre Bianchi
Fundador · Bianchi Capital & Zayion AI · investidor de cripto desde 2016
Autor de “O Manual do Criptoinvestidor”+150 mil seguidores~10 anos de mercadoPresença na RedeTV
Resumo: O volume de stablecoins pareadas ao dólar ultrapassa US$ 300 bilhões, superando em mais de 2 mil vezes o mercado das stablecoins lastreadas no real, que não chegam a R$ 1 bilhão. O dado evidencia a predominância da moeda americana no universo das criptomoedas estáveis e destaca desafios para a adoção de stablecoins nacionais.

O mercado de stablecoins em dólar é mais de 2 mil vezes maior que o do real, segundo levantamento recente da BitGo, empresa global de custódia de ativos digitais. Enquanto as stablecoins atreladas ao dólar já movimentam cerca de US$ 300 bilhões em valor de mercado, as dez principais versões pareadas ao real brasileiro ainda não alcançaram a marca de R$ 1 bilhão em circulação. O contraste expõe a diferença de liquidez e adoção entre as moedas digitais estáveis internacionais e as nacionais, e levanta questões sobre o papel do real no ecossistema cripto.

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Stablecoins: dominância do dólar no universo cripto

As stablecoins são criptomoedas projetadas para manter paridade com ativos estáveis, como moedas fiduciárias. No cenário global, o dólar americano é a referência principal, com projetos como Tether (USDT) e USD Coin (USDC) liderando o setor. De acordo com a BitGo, o valor de mercado dessas stablecoins soma aproximadamente US$ 300 bilhões, refletindo a confiança e a liquidez que o dólar oferece aos investidores e participantes do mercado.

Esse domínio contrasta fortemente com o desempenho das stablecoins atreladas ao real brasileiro. Mesmo com a presença de dez iniciativas diferentes, o volume total emitido dessas moedas digitais nacionais ainda não chega a R$ 1 bilhão. O número é modesto diante da escala global e evidencia as barreiras para o crescimento dessas soluções no Brasil.

Por que as stablecoins em dólar são tão relevantes?

O sucesso das stablecoins baseadas no dólar está relacionado à alta demanda por liquidez, facilidade de uso em transferências internacionais e proteção contra volatilidade de outras criptomoedas. Investidores de mercados emergentes, como o brasileiro, costumam recorrer ao dólar digital para acessar plataformas globais de DeFi, corretoras internacionais e até para remessas transfronteiriças, aproveitando a estabilidade da moeda americana.

Já as stablecoins lastreadas no real enfrentam desafios como baixa aceitação internacional, liquidez restrita e menor utilidade em protocolos globais. Por outro lado, elas têm potencial para facilitar pagamentos, remessas domésticas e integração com o sistema financeiro local, caso ganhem escala e confiança dos usuários.

Impactos para investidores e o futuro das stablecoins nacionais

A disparidade entre os mercados de stablecoins em dólar e em real pode influenciar decisões de investidores brasileiros. Para quem busca liquidez e acesso internacional, os tokens em dólar continuam sendo a escolha dominante. No entanto, o crescimento das stablecoins nacionais depende de fatores como regulação, parcerias com bancos e empresas, e iniciativas do Banco Central, que podem fomentar maior adoção e integração com o mercado tradicional.

Nos últimos meses, o Banco Central do Brasil tem intensificado discussões sobre o Drex, o real digital oficial, o que pode impulsionar o interesse por stablecoins pareadas ao real e ampliar seu uso em pagamentos digitais e contratos inteligentes. Ainda assim, o desafio é grande para alcançar volumes próximos aos das stablecoins em dólar.

O que observar nos próximos meses

O avanço da regulação, a entrada de novos participantes e o desenvolvimento de casos de uso relevantes para stablecoins nacionais são pontos de atenção para o investidor. Iniciativas que promovam interoperabilidade e confiança podem ser decisivas para aumentar o volume de stablecoins em real e reduzir a dependência do dólar no ecossistema cripto brasileiro.

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Quem escreve no CoinsFrontier

Alexandre Bianchi

Fundador da Bianchi Capital e do Zayion AI. ~10 anos no mercado de ativos digitais, autor de referência e presença na mídia.

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